quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Quando se encontra um boa obra literária.


Nessas férias de dias quentes e chuvosos e no meio dos atropelos da preparação de uma viagem, tive a oportunidade de entrar num Sebo no centro de São Paulo para relaxar depois das compras para a viagem. Um sebo ou uma livraria sempre me acalma às vezes outras  causam –me reflexões e buscas de idéias e criações, talvez por isso que eu não dispenso nem mesmo uma banca de revistas.  
Mas o fato é que em busca de tantos livros acabei encontrando um romance de Clarice Lispector, do qual eu sou fã. A maçã no escuro, um dos pouco romances dessa fundamental escritora o qual eu ainda não tinha lido.
O li em dois dias, na casa de minha família no interior e confesso que mesmo entre eles a solidão me bateu forte, assim como o medo de se existir e ao mesmo tempo me causou uma profunda reflexão disso que somos.  “... não havia como não aceitar o que acontecia, pois para tudo o que pode acontecer um homem nascera...”. Simplesmente com essa reflexão da personagem fui me vendo e sabendo mais de mim. – Cada linha do romance te cutuca.
Assim o romance é permeado e repassado por frases reflexivas enquanto a personagens e os  eventos vão desenrolando. Nada parece obvio, mas ao mesmo tempo o é.
Clarice Lispector escreveu esse romance me 1956, mas esqueçam a data do século passado. O romance A maçã no escuro é escrito para os dias de hoje de amanhã, de ontem e do futuro porque trata de um homem e seu drama, comédia e desespero. Ou seja, existir.
Não é uma leitura fácil, para quem nunca leu nada além de Best Sellers, talvez possa se perder. Para quem tem alguma altura de boa literatura, certamente vai saber que não leu muita coisa boa na vida.
Mas fazer o que? Clarice é assim, causa.